sábado, fevereiro 02, 2019
sexta-feira, fevereiro 01, 2019
«estou completamente estúpido para tudo o mais: sou como um instrumento em que todas as cordas se quebraram menos uma -- e que já não dá mais que um som em qualquer parte e por qualquer modo que o firam»
Almeida Garrett a Rosa Montúfar Infante, viscondessa da Luz, aqui.
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quinta-feira, janeiro 31, 2019
quarta-feira, janeiro 30, 2019
vozes da biblioteca
«Apenas os relógios soavam as duas horas da sesta e ele -- surgindo inesperadamente, pois todos o julgavam na fazenda -- despachara a bela Sinhàzinha e o sedutor Osmundo, dois tiros certeiros em cada um.» Jorge Amado, Gabriela, Cravo e Canela (1958)
«Era uma sala grande, estranhamente vazia, com sacadas para a avenida, em que havia aquelas secretárias muito altas, de se escrever em pé nos grandes livros de comércio, encostadas às paredes.» Jorge de Sena, Sinais de Fogo (1979, póst.)
«o quarto é individual, é um mundo, quarto catedral, onde, nos intervalos da angústia, se colhe, de um áspero caule, na palma da mão, a rosa branca do desespero, pois entre os objetos que o quarto consagra estão primeiro os objetos do corpo;» Raduan Nassar, Lavoura Arcaica (1975)
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terça-feira, janeiro 29, 2019
Tony Banks: Composers That Have Influenced Me -- ou de Rachamaninov a Keith Emerson
A pesquisar para um novo bloco de orquestrais & concertantes, dou com esta resposta tão rápida quanto completa à inevitável pergunta sobre as influências, tanto ao nível da clássica como do rock. E, para quem esteja familiarizado com a música de Tony Banks, desde os primeiros Genesis, em 1969 (o som Beatles, antes de todos os outros) até aos grandes compositores ingleses, nada é surpreendente. Passos a enumerar: 1. erudita: Rachmaninov e Ravel, aspectos técnicos; e as sonoridades dos ingleses do século XX: Vaughan Williams, Holst, Elgar, Delius, and stuff; no rock, Beatles, Beach Boys, Kinks, Animals, sem esquecer as performances de Keith Emerson com os Nice, o primeiro e (talvez por isso mesmo) mais assombroso concerto assistido por Tony Banks -- para mim o principal esteio da sonoridade dos Genesis, nas suas melhores fases (1970-1974, 1976-1978, 1983) e também nas outras.
segunda-feira, janeiro 28, 2019
domingo, janeiro 27, 2019
vozes da biblioteca
«Buck não lia os jornais; caso contrário, teria sabido das atribulações que o aguardavam, de Puget Sound a San Diego, a ele e a todo o cão que fosse rijo de músculos e de pêlo abundante e aconchegador.» Jack London, O Apelo da Selva (1903) (trad. Rui Guedes da Silva)
«Nada ali indicava uma luta, nem sequer o rasgão da musselina que parecia separado em duas partes: havia apenas o silêncio e uma embriaguês esmagadora onde ele se afundava, separado do mundo dos vivos, agarrado à sua arma.» André Malraux, A Condição Humana (1933) (trad. Jorge de Sena)
«Todas as jovens da região vieram nesse dia a Sevilha, as generosas cabeleiras pendentes brilhando à luz do Sol, emoldurando, graciosas, os rostos corados que se debruçam.» Pierre Louÿs, A Mulher e o Fantoche (1898) (trad. Emanuel Godinho Lourenço)
«Nada ali indicava uma luta, nem sequer o rasgão da musselina que parecia separado em duas partes: havia apenas o silêncio e uma embriaguês esmagadora onde ele se afundava, separado do mundo dos vivos, agarrado à sua arma.» André Malraux, A Condição Humana (1933) (trad. Jorge de Sena)
«Todas as jovens da região vieram nesse dia a Sevilha, as generosas cabeleiras pendentes brilhando à luz do Sol, emoldurando, graciosas, os rostos corados que se debruçam.» Pierre Louÿs, A Mulher e o Fantoche (1898) (trad. Emanuel Godinho Lourenço)
sexta-feira, janeiro 25, 2019
o que sei sobre os acontecimentos do Bairro da Jamaica
1. o que se confirma. A polícia foi chamada por alguém do bairro para pôr termo a uma zaragata que ocorrera entre mulheres. Fazendo fé na veracidade da fotografia que a PSP divulgou, um polícia foi agredido com uma pedrada na boca, e teve de receber tratamento médico. Isto é o que se diz, e tomo as informações como verdadeiras. Por isso, deve dizer-se que, mesmo com razões de queixa que possam existir sobre o comportamento censurável de alguns elementos da polícia, a agressão gratuita é inadmissível.
2. o que se vê. Polícias em torno de um indivíduo, eventualmente resistindo à coacção (as imagens não são nítidas). Era esse indivíduo o agressor? Não faço ideia; se era, a coacção policial justificava-se, se não era, a polícia esteve mal. E esteve também mal quando agrediu com bastonadas uma mulher e um homem, pais do indivíduo, veio a saber-se, quando se percebe nitidamente que não havia por parte deste qualquer atitude violenta, antes uma notória tentativa de apaziguamento.
3. o que não pode haver. Polícias que não circulem à vontade em qualquer aglomerado do país; polícias que desrespeitem os cidadãos, através do abuso da autoridade ou de qualquer espécie de abordagem racista, que deve ser sancionada exemplarmente; e recordo que tanto a PSP como a GNR dispõem de muitos agentes e militares negros; seria bom uma comissão independente, integrando elementos de todos os partidos com representação parlamentar, mas não só, ouvir a sua percepção da realidade. Talvez fosse útil, para esclarecimento de todos.
4. a política. A polícia, como em qualquer organização, tem gente de grande qualidade e tem escumalha. Concordo, portanto, completamente com as declarações Catarina Martins; também Marcelo Rebelo de Sousa disse o que competia a um Presidente da República: mostrou preocupação, equidistância e ponderação. O dirigente do SOS Racismo, Mamadou Ba, esclareceu claramente o teor das suas palavras. Só não percebem os estúpidos e os insignificantes à procura de cinco minutos de notoriedade.
Não vale a pena fingir que não há racismo, porque há -- em especial um racismo classista que larva por entre os segmentos mais desqualificados da população (é ouvi-los), que obviamente quer ser aproveitado pelos demagogos e pelos 34 activistas da extrema-direita que andam por aí a fazer pela vida, tentando que lhes dêem uma importância e influência que não têm.
A existência dum aglomerado daqueles num concelho da área metropolitana de Lisboa em 2019 é uma vergonha e não tem nenhuma justificação, em especial depois da existência dum Programa Especial de Realojamento (PER), que permitiu acabar com bairros degradados em vários concelhos. Se eu fosse do PCP, diria que isto é o resultado das políticas de direita; como não sou, digo que isto é o resultado das políticas de direita e das políticas do deixa andar, à direita e à esquerda.
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quinta-feira, janeiro 24, 2019
quarta-feira, janeiro 23, 2019
cheira a podre e aa conspiratas fachas: felizmente há a imprensa
Não fora Joana Amaral Dias, honra lhe seja, e não saberíamos do conteúdo da auditoria à Caixa Geral de Depósitos relativa ao período 2000-2015, embora há que tempos se falasse dos grandes devedores. Não é tanto, embora seja importante, o desastre de cada negócio: uns correram mal, outros serão suspeitos de trafulhice a vários níveis -- cabe às autoridades apurar. Não é tanto, pois: trafulhices e maus negócios não começaram nem ficarão por aqui; o que é especialmente repugnante é 1) os prémios de gestão atribuídos aos quadros que descapitalizaram o banco público, o despudor e o abuso aí estão à vista de todos, e os premiados não pintam a cara de preto porque não têm vergonha na dita; 2) o encobrimento, obviamente protegendo o sindicato dos interesses com a activa cumplicidade das cúpulas políticas; 3) o alheamento ou a raiva dos cidadãos duramente extorquidos com impostos, desviados para alimentar o regabofe. Também isto cria bolsonaros & trumps, ainda mais do que as questiúnculas fracturantes.
O antigo ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, com quem não me encontro há vários anos, foi, pelo seu primeiro casamento, um familiar muito próximo, e conhecemo-nos ainda desde a adolescência dele e a minha jovem adultez (sou poucos anos mais velho). Creio que nunca aqui lhe fiz referência por essa razão e também, diga-se com frontalidade, por não ter e nunca ter tido pachorra para as empresas, para as bolsas e temas quejandos -- nunca leio as páginas de economia dos jornais, a não ser quando aparece um bom cronista, fenómeno pouco frequente. Vem isto a propósito da minha admiração pela sua substituição no Governo -- além de académico destacado, geria uma pasta que apresentava óptimos resultados para o Governo apresentar, além de ser pessoa de excelente trato -- logo a remodelação não me fez muito sentido (não foi, certamente, por causa da timidez do ministro, factor parece que importantíssimo aí para o jornalismo raso e acéfalo da intriga política.) Ainda por cima, substituído por um advogado, homem de confiança do PM, o que é mais ou menos como nomear um veterinário para director clínico do Santa Maria. Até que há dias se fez luz: havia um secretário de estado, parece que bastante competente, Jorge Seguro Sanches, que andava a tornar-se demasiado saliente. Havia que removê-lo, para cair sec. de estado, tinha primeiro de cair o ministro. É a minha leitura, e duvido que haja outra convincente.
Entretanto, a história do genro de Jerónimo de Sousa parece ter sido tratada de forma enviesada, segundo revela O Polígrafo . Não há que admirar: há uma extrema-direita subterrânea, larvar, vermínica, motivado pelos gelados ventos de leste, apostada em aproveitar a degenerescência política em que temos andado, desde o cavaquismo. Goste-se mais ou menos (e eu nem mais nem menos), o PC é um dos baluartes do sistema democrático, tal como existe desde 1974. Miná-lo é a tentativa de aspirar uma grossa fatia de eleitorado descontente que, a exemplo, por exemplo da França, alimentaria essa extrema-direita. Esperemos que 1) não seja bem sucedidos e 2) que se enganem.
terça-feira, janeiro 22, 2019
vozes da biblioteca
«Afeito à vida áspera do foro, que obriga a endurecer o coração e a dominar a sensibilidade, não soubera, porém, aceitar com indiferença aquela declaração franca, honesta, sem pensamento reservado, mas que para ele era paga de uma dedicação sem mancha e de uma devoção silenciosa: "a sua presença é uma das raras consolações da minha vida actual."» Joaquim Paço d'Arcos, Ana Paula (1938)
«Chegar, deitar-se: por vezes os dois actos sucedem-se e encadeiam-se com tal rapidez como se entre ambos não decorresse, hesitante ou cegamente precipitada, aquela operação, um tanto mágica à força de tão simples, de primeiro se descalçar, de logo em seguida se despir.» David Mourão-Ferreira, Um Amor Feliz (1986)
«Lugar sertão se divulga: é onde os pastos carecem de fechos; onde um pode torar dez, quinze léguas, sem topar com casa de morador; onde criminoso vive seu cristo-jesus, arredado do arrôcho da autoridade.» João Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas (1956)
segunda-feira, janeiro 21, 2019
domingo, janeiro 20, 2019
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