domingo, novembro 01, 2015

c'os diabos!


Um filmaço de Scott Cooper, que põe em equação as teias em que se enredam modos de vida de marginalidades, bebidos no berço, fidelidades de clã, sentimentos identitários, política criminal e crime na política e, acima de tudo, o raio duma complexidade que é inerente ao bicho-homem. Johnny Depp, outro dos meus actores preferidos, é a perfeita encarnação desse claro-escuro que nos assola.



sexta-feira, outubro 30, 2015

a possibilidade de viver

Há uns bons anos, em resposta a um comentário que a Maria Noronha (quando voltará ela a blogar?) fez a este excerto de Stig Dagerman:  «Sem fé, ouso pensar a vida como uma errância absurda a caminho da morte, certa. Não me coube em herança um qualquer deus, nem ponto fixo sobre a terra de onde algum pudesse ver-me. Tão pouco me legaram o disfarçado furor do céptico, a astúcia do racionalista ou a ardente candura do ateu. Não ouso por isso acusar os que só acreditam naquilo que duvido, nem os que fazem o culto da própria dúvida, como se não estivesse, também esta, rodeada de trevas. Seria eu, também, o acusado, pois de uma coisa estou certo: o ser humano tem uma necessidade de consolo impossível de satisfazer.»
escrevi a minha via pessoal para tentar iludir o absurdo da existência, via que continuo a trilhar, tentando iludir-me
 
«É o nada que nos espera que torna a vida absurda. O Vergílio Ferreira diz num dos seus diários qualquer coisa como isto: uma hora de eternidade é igual a mil anos de eternidade; isto é: uma hora de nada é igual a mil anos de nada. Há para mim algo que pode dar um sentido à vida, e tal é a minha descendência, a única coisa perene que me vai sobreviver, pois não sou Miguel Ângelo, Beethoven, Camões ou sequer Napoleão. E mesmo esses... Por isso, também ouço muitas vezes o «Blackbird» & outras músicas; tornam a vida possível de ser vivida.»

*«Blackbird», música de Paul McCartney, nos Beatles.

quinta-feira, outubro 29, 2015

conversa de notário da União Nacional

«A manha do "Manholas"... Programa para mais três décadas. Com Vila Velha agradecida por ter sido salva das bombas. Aliadas? Alemãs? O notário Teófilo de Oliveira considerava, a posteriori, tal eventualidade como "bombas antiportuguesas». Para facilitar.»

Álvaro Guerra, Café Central (1984)

Raif Badawi


Honra ao Parlamento Europeu, que acaba de atribuir o Prémio Sakharov ao blogger saudita Raif Badawi, condenado a prisão e chicotadas públicas por liberdade de expressão.
Vergonha, não apenas ao regime atrasado e vil da Arábia Saudita, sem lugar no concerto das nações civilizadas, como às potências que enchem o bandulho com os petrodólares.

quarta-feira, outubro 28, 2015

escozinhar com molho de Camões

«Em certo 10 de Junho quando todos os jornais molemente escozinhavam com molho de Camões e as entidades oficiais transportavam ramos tristes para o Largo das Duas Igrejas, Antero Chumbo teve um dos seus rasgos: atirou algumas sem-cerimónias ao épico.»

Tomás Ribeiro Colaço, A Calçada da Glória (1947)

segunda-feira, outubro 26, 2015

se eu tivesse de escolher só uma música



Amour, imagination, rêve -- Air. O acrónimo sintetiza o cerne deste duo de Versalhes, composto por Nicolas Godin e Jean-Benoît Dunckel -- tão cosmopolita e simultaneamente tão francês. Um portento de melodia, um certo romantismo com uma boa carga de ironia. Deste 10 000 Hz Legend (2001), extraio isso mesmo que acabei de dizer com «Wonder Milky Bitch».


domingo, outubro 25, 2015

AMORE



vinha das choças

«Vinha das choças um mugir manso de gado, um mugir quente e terno, junto ao bafo de fezes e de pastos apodrecidos.»

Romeu Correia, Calamento (1947)

sábado, outubro 24, 2015

um xarope

Tinha a expectativa de ver uma comédia inofensiva e enxuta com o meu actor preferido, Robert De Niro, e Anne Hathaway (que nome...) como bónus. A primeira parte ainda assim foi; depois, o filme resvala para uma lamechice inane, do género sic-Mulher servida nas salas-de-espera dos consultórios. Só não foi tempo & dinheiro perdidos porque DeNiro transforma em aceitável qualquer porcaria em que entre. 


sexta-feira, outubro 23, 2015

Seria surpreendente se Cavaco surpreendesse.

Não é de admirar que quem torpedeou um governo nas vésperas da adesão à então CEE ameaçasse, em fim de mandato presidencial fazer o mesmo ao país, em nome da pequenez política que o caracteriza.
Há dez anos eu, pobre ingénuo -- sem que pusesse sequer hipótese de nele votar -- acreditava que dez anos como primeiro-ministro e outros dez de travessia do deserto lhe tivesse dado estofo de estadista. Foi sol de pouca dura, como se sabe. Portugal está há poucas semanas de ver-se livre dele; veremos em que estado deixará o país.
(nota: escusado será dizer que este post não tem que ver com a decisão formalmente inatacável de ter indigitado Passos Coelho para formar governo, mas com os avisos à navegação que entendeu fazer. Esperemos que, então sim, não tenhamos de recorrer às fórmulas patéticas da Traulitânia: golpe de estado, usurpação, e outros mimos.)

quinta-feira, outubro 22, 2015

terça-feira, outubro 20, 2015

Dez livros que não poderiam nunca faltar na minha lista dos melhores romances escritos em língua portuguesa

Via Ler-te, descobri esta lista, e participei na inquirição sobre Os Melhores Romances Escritos em língua Portuguesa., como de costume sem ler as regras até ao fim... Por isso, a minha ordenação foi cronológica e não por ordem de preferência, como é pedido (acho que nem conseguiria fazê-lo). Também me impus não escolher mais do que um título do mesmo autor nem mencionar escritores vivos. Finalmente, prefiro chamar a esta minha lista «Dez livros que não poderiam nunca faltar na minha lista dos melhores romances escritos em língua portuguesa», uma vez que ninguém poderá jamais determinar quais são os melhores romances (ou sinfonias, ou telas, ou o que seja). em Arte não há melhor: há bom e mau; obra conseguida ou falhada. O resto são opiniões.
E então ela aí vai:

1. Os Maias (1888), de Eça de Queirós
2. Andam Faunos pelos Bosques (1926), de Aquilino Ribeiro
3. A Selva (1930), de Ferreira de Castro
4. Mau Tempo no Canal (1944), de Vitorino Nemésio
5. Servidão (1946), de Assis Esperança
6. Gabriela, Cravo e Canela (1958), de Jorge Amado
7. Barranco de Cegos (1961), de Alves Redol
8. O Signo da Ira (1961), de Orlando da Costa
9. Sinais de Fogo (1979), de Jorge de Sena
10. Para Sempre (1983), de Vergílio Ferreira

É claro que das Viagens na Minha Terra (1846)m de Almeida Garrett, até a as Primeiras Coisas (2014), de Bruno Vieira Amaral, muitos poderiam figurar nesta lista -- só que não poderiam ser dez.
Agora, caros amigos, toca a participar (têm até ao fim do ano, não se atrasem).

criador & criaturas


Hergé e Jo, Zette et Jocko (Joana, João e o Macaco Simão)

imagem

domingo, outubro 18, 2015

50 discos: 18. ATÉ AO PESCOÇO (1972) #1 «Até ao Pescoço»


santa de verdade

«Veio com a esposa, tia Santa, santa de verdade, pobre mártir daquele homem estúpido.»

Jorge Amado, Cacau (1933)

sábado, outubro 17, 2015

Rover, «Aqualast»

previsível e açucarado,

mas com grandes actores -- um prazer sempre de ver desempenhos desta qualidade. Um filme que escorrega muito bem.