




conservador-libertário, uns dias liberal, outros reaccionário. um blogue preguiçoso desde 25 de Março de 2005


Não sei o que vai fazer o Tony Blair à Palestina, se a ideia for marginalizar o Hamas. O problema é que o Hamas já não é facilmente marginalizável, ainda para mais com um Abu Mazen irrelevante - disse-o a ministra Tzipi Livni --, nas mãos dos israelitas para sobreviver. Há a incógnita Marwan Barghutti, na cadeia; mas neste momento a Fatah parece uma "organização" tomada de assalto pelos bandidos; e os homens do primeiro-ministro (?) Ismail Hanie os verdadeiros patriotas.
Os EUA (e a UE) atrás não deram uma oportunidade ao Hamas, quando havia sinais de que este farias cedências relevantes, como o reconhecimento de Israel, com o regresso às fronteiras de 1967. Lidaram com a organização como se fosse monolítica ou uma espécie de filial da Al-Qaida na Palestina. Para já, as declarações de Condoleezza Rice em Lisboa foram uma desgraça pelo irrealismo e pela estupidez -- não dela, é claro, que se sujeita a fazer figuras tristes semelhantes às de Colin Powell na ONU. Veremos o que se segue.






Retenho da entrevista de Zita Seabra à RTP, a propósito das suas memórias, apresentadas hoje, a ausência de uma atitude de autojustificação do percurso como militante e dirigente do PCP. Zita assumiu-se como uma militante disciplinada, sectária, fanática, que através dum doloroso processo de ruptura acaba por pôr em causa as ideias por que se bateu, classificando-as como erradas na sua essência. Todos quantos estávamos de fora sabíamos que assim era; os que convictamente lá militavam, não viam nem queriam ver. Ela o disse, referindo-se a si mesma, e assim vale(rá) a pena ler o que se assume de um passado, com todos as luzes e sombras. O período do PREC será de certeza interessantíssimo, para ver onde acaba a acção dos grupúsculos da extrema-esquerda e como esta se integra na (ou aproveita a) estratégia do PCP. Só espero que o estilo seja escorreito, ao contrário de alguns dos seus ex-camaradas, que escreveram memórias nos moldes de um relatório, como se fose uma espécie de informe ao c.c....


NOMINALMENTE
Este cais onde nominalmente a corda foi deslocada
fazia-me pensar que eu dissera a uma das vozes
que era uma junção. Mas vi partir à mesma distância
quilha, proa e centro. Começou o afastamento.
Aperfeiçoo as imagens que distinguem os lugares.
Água dispersiva, equidistância do sol, ambivalência
das margens. Cruel grito tradicional da gaivota,
no ponto aonde adeja e pesca. Cada sentimento
acumula demasiadas referências, para uma respiração.

Segue-se a norma adoptada em Angola e Moçambique, que é a da ortografia decente.