Arrancam-me as penas
E eu sofro sem dizer nada:
-- Sou ave
Bem educada.
E, se quisesse,
Podia
Morder-lhes as mãos morenas
A esses
Que sem piedade
Me roubaram estas penas que me cobrem.
E, no entanto,
Sem o mais breve gemido,
O meu corpo
Vai ficando
Desguarnecido.
E elas,
Aquelas
Que se enfeitam, doidamente,
Com estas penas formosas
-- Que são minhas! --
Passam por mim, desdenhosas,
Em gargalhadas mesquinhas.
Sim, eu sofro sem dizer nada:
-- Sou ave
Bem educada
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Motivos de Beleza / Líricas Portuguesas. 2.ª Série
(edição de Cabral do Nascimento)
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