Strindberg, que era louco mas não era parvo, num livrinho explosivo, breviário dirigido aos deserdados*, explicava as estratégias de controlo da classe dirigente sobre o rebanho que lhe sustentava os ócios. Perguntava e respondia:
«Que meios usa a classe dirigente para manter a classe baixa subjugada?
Mentiras, dolos, superstições, exércitos permanentes e prisões.
Mas às mentiras chama-se-lhe "verdades indiscutíveis", aos dolos "para bem do povo", às superstições "a voz de Deus", aos exércitos permanentes "para defesa da pátria", às prisões "instituições para reinserção social".
Escrito há mais de um século, felizmente já nada disto é assim: os mercados estão regulados, só os banqueiros ladrões é que vão para a prisão; os cidadãos são eleitos e governam o seu país; a tropa, depois de ter defendido a pátria na guerra de áfrica, reconverteu-se; e as corporações concorrem para o bem nacional.
* Breve Catequese para a Classe Oprimida, tradução de Alexandre Pastor, Lisboa, Ulmeiro, 2003, p. 14-15.
dos pórticos
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*«A *nossa vida está pletórica de iniquidades, de misérias, de renúncias e
de sofrimentos -- e nós, apesar disso, não queremos morrer. / Tu, meu irmão
lo...
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