segunda-feira, setembro 12, 2016

pediste uma última, uma última vez o embuste / abreviado na quietude das traseiras de tua casa.

Amadeu Liberto Fraga

domingo, setembro 11, 2016

50 discos: 37. SNAKES AND LADDERS (1980) - #3 «Welcome To Holywood»


microleituras

Expulso da universidade pela repressão do salazarismo, antes de exilar-se no Brasil -- onde foi professor do bom embaixador José Aparecido de Oliveira, o pai da transviada CPLP --, Agostinho da Silva promoveu a edição de de livros e folhetos de difusão de um vastíssimo saber. Uma dessas iniciativas foi esta colecção «Antologia -- Introdução aos Grandes Autores», pouco mais do que folhetos na sua dimensão física, de periodicidade quinzenal, e cujo número avulso custava 1$20...
Fénelon (1651-1715 -- cuja ano de nascimento é o mesmo do nosso grande diplomata, historiador e memorialista José da Cunha Brochado), bispo de Cambrai, foi uma das mais notáveis figuras da Igreja no período barroco, numa França ainda exangue das Guerras de Religião e da Fronda. Ele próprio não fica imune à complicada heterodoxia religiosa do tempo, jansenismo, quietismo, tendo abraçado este último desvio, e posteriormente forçado a retractar-se, sendo desterrado por Luís XIV.
Deste Diálogo dos Mortos (1712), colóquios de ética política, dir-se-ia que ad usum delphini, em que são convocadas figuras mitológicas e históricas da Antiguidade, sobressai o escopo de de exaltação do bom governo do soberano, limitado pela lei e pelo bem-comum, ao arrepio do qual todo o poder se torna injusto, redundando em tirania. Muito apropriado nesses anos de chumbo em que Agostinho da Silva, idealisticamente, exercia a sua pedagogia.

primeiro diálogo:

«REMO -- Eis-te, enfim, meu irmão, no mesmo estado em que me encontro; para isto, não valia a pena teres-me matado. Acabaram os poucos anos em que reinaste; deles nada resta: e muito melhor os terias passado se tivesses vivido em paz, se comigo tivesses partilhado o poder.
RÓMULO -- Se tivesse tido essa moderação, não teria fundado a poderosa cidade que estabeleci, nem feito as conquistas que me imortalizaram.»

canções portuguessas - #6 «Balada das Sete Saias» (Trovante, 1981)



Música: Trovante; letra; Francisco Viana

sábado, setembro 10, 2016

EUMed: tardar, mas (esperemos) arrecadar


Há anos que se fazia sentir a premência de algo como isto, em face da política alemã & satélites (cujo rosto é o miserável presidente do EuroGrupo), e a exemplo do que sucede com o Grupo de Visegrad, que agrupa os países da Europa Central que pertenceram ao ex-bloco soviético. Muito significativa é a participação da Espanha, embora não a alto nível, dada a situação política interna. 
Já não estamos em tempo do servilismo embaraçoso que caracterizava o anterior governo (as declarações do líder do PSD, a propósito desta cimeira, são bem reveladoras), nem de passarmos pela vergonha de termos um legume que representava o governo de Portugal que era conhecido pelo 'alemão'.
Sobre, veja-se aqui e aqui.  

canções portuguesas: #5 «Asas Fechadas» (Amália Rodrigues, 1962)



(música: Alain Oulman; letra: Luís de Macedo)

só uma música

Headline News (1983), o último álbum dos Atomic Rooster, banda histórica do rock progressivo, que não sobreviveria à morte de Vincent Crane, sua alma mater. Escolho o tema inicial, Hold Your Fire, entre outras razões pelo tom melancólico de Crane. A guitarra parece a do David Gilmour, porque é do David Gilmour.

quinta-feira, setembro 08, 2016

O meu íntimo é uma catedral / que ninguém viu.
Alexandre Dáskalos

segunda-feira, setembro 05, 2016

Ficar no Euro, para quê?

Fui um entusiasta do Euro, tal como me considero um europeísta. Sendo economicamente iletrado, e considerando sempre o primado da política, achei, ingenuamente, que com a moeda única entraríamos numa nova fase da integração europeia, cada vez mais confederal.
A realidade, porém, está a pôr em causa toda essa visão, mais ou menos idílica que perfilhei -- como, de resto, a própria ideia de União Europeia, que nunca esteve tão em crise como hoje se verifica, com todos os perigos e retrocessos inerentes.
O enunciar da questão política, em face do Euro, é simples, na sua complexidade extrema... Como diz Stiglitz, e como o disseram João Ferreira do Amaral e outros, desde o início, Portugal não tem economia para sobreviver num contexto de  Europa alemã. Ora esta existe e exerce-se porque a Alemanha e satélites impõem esta política económica, independentemente -- tem-no demonstrado -- dos cataclismos políticos que origina por essa Europa fora.
Se a nossa economia está "condenada" dentro do Euro, e se a potência económica hegemónica na UE não quer cuidar do que na UE se está a desmoronar, ficar no Euro, para quê?... Para estagnarmos economicamente, sem instrumentos essenciais para inflectir o caminho de degradação? E em nome de quê? Da política europeia que é, na verdade, uma política alemã ciosa dos seus bons resultados? A não ser que queiramos ser uma população exportadora de cérebros, formados, aqui; subsidiados mais ou menos vegetantes; empregados de mesa, servindo, com profissionalismo, os reformados da Europa do norte.

P.S. - Não quero dizer que a União Europeia não seja algo por que valha a pena lutar -- e muito. Mas, infelizmente, os seus dirigentes já deram mais do que prova de ausência de reacção (ou reacção desrazoável e/ou timorata), que, oxalá me engane, será fatal: Grécia, refugiados de guerra, derivas xenófobas e racistas em países da Europa Central.
Quem poderá ainda acreditar nisto?... 

50 discos: 29. POWER IN THE DARKNESS (1978) - #3 «Too Good To Be True»


quinta-feira, setembro 01, 2016

O que faltou, noite após noite, / foi exactamente a poesia.
Manuel de Freitas

50 discos: 38. PETER GABRIEL (1980) - #3 «Start»