«Foi tudo precioso, o silêncio flutuou / e deteve-se perto de servir um mal-entendido,»
O que Vai Acontecer?(1997)
conservador-libertário, uns dias liberal, outros reaccionário. um blogue preguiçoso desde 25 de Março de 2005
«Foi tudo precioso, o silêncio flutuou / e deteve-se perto de servir um mal-entendido,»
O que Vai Acontecer?(1997)
«"Ela aí vem!" disse eu para os demais; / E pus-me a olhar, vexado e suspirando, / O teu corpo que pulsa, alegre e brando, / Na frescura dos linhos matinais.»
«A débil», O Livro de Cesário Verde (póst., 1887)
«As poucas pessoas do costume cumpriram religiosamente aquela invocação sentida do caseiro. Resignadas, aceitavam agora a metódica explicação. / -- Esta Torre não se sabe bem de quantos séculos podemos datá-la, mas o certo é que Dom Raymundo da Barbela (crê-se que tenha sido o primeiro grande home da família da Torre) saiu destas bandas para ajudar com os seus homes as cargas de Dom Afonso Henriques, seu primo colateral.» Ruben A., A Torre da Barbela (1964)
«Resoluto, Manuel da Bouça levantou-se e, pisa aqui, arrasta ali o pé dolorido, atravessou o pinhal. / Quando, porém, o outeiro, em curva suave de ventre feminino, se cosia ao sinuoso caminho que dava acesso à aldeia, deteve-se, meditativo, a contemplar a sua casita, quase debruçada no Caima.» Ferreira de Castro, Emigrantes (1928)
«Encostou-se ao pedestal da estátua, tirou o lenço da cabeça e olhou para o marido. Este baixou-se um pouco, apontou demoradamente a máquina e disparou por fim. / Mary virara-se outra vez de costas e Giovanni quis adivinhar-lhe a direcção dos olhos, acompanhá-los depois no voo extasiado que terminava na torre do Palazzo Vecchio.» Augusto Abelaira, A Cidade das Flores (1959)
* O Pentágono, a Nato, a UE -- o pai-filho-espírito santo da Guerra da Ucrânia -- julgam assustar-nos (e assustam mesmo os mais débeis de entendimento) com a historieta dos dez mil soldados norte-coreanos exportados pelo rei da Coreia, como se aquilo interessasse para alguma coisa; é carne para canhão, como uns milhares de polacos (entre outros), alegada ou efectivamente mercenários, que estão na Ucrânia desde o princípio. Como é da História, várias vezes repetida (do Vietname a Cuba) os idiotas dos americanos lançam os adversários/inimigos nos braços dos outros, e depois queixam-se.
* Quem acredita que o Joe Biden riscou alguma coisa na Guerra da Ucrânia, ponha o dedo no ar!
* O Zelensky recusou-se receber Guterres. Mais uma medalha para Guterres.
* Entretanto, que raio veio cá fazer a Zelenska?...
* Na Geórgia, o "Ocidente" está também muito angustiado, tendo mesmo a francesa que ocupa a cadeira presidencial recusado aceitar a vitória do partido que está no poder. O Blinken pronunciou-se logo, o que é sempre sinal de envolvimento da CIA e doutras organizações beneméritas. Diz-se que é pró-russo. Só se fossem estúpidos não o seriam. E, que horror!, têm uma lei que obriga que as empresas que tenham acima de um determinado montante de capital estrangeiro o declarem, exactamente como sucede nos Estados Unidos e noutros países -- ultraje! Além disso, também têm para lá umas leis semelhantes às dos russos e dos húngaros (e dos polacos, mas esses já não interessa mencionar) que propõem proteger as criancinhas do manicómio woke e lgbt. Parece que lá é proibido ministrar "horas do conto" com leituras por drag queens, verdadeiro atentado à diversidade e à inclusão.
* Afinal, os russos são uns bárbaros e os norte-americanos la crème, não é verdade?
* Duas anedotas: nos tempos da Guerra Fria contava-se, com grande sucesso que na Rússia não havia homossexuais; então porquê? Resposta: "Eles não podem abrir a boca, quanto mais o cu!..." Em relação aos estadunidenses: "-- O que distingue um americano a mascar chiclete duma vaca?" "-- Hum?" "--O olhar inteligente da vaca."
* Despeço-me, com amizade e nenhuma paciência.
«E um silêncio caiu, suave como a neve, / Numa paisagem portuguesa.»
«Passeio», Desaparecido (1935)
«é da palavra errante que / devemos falar, da distância,»
Sob Sobre a Voz (1971) / A Pequena Pátria (2002)
«Agosto, 14 [1961] / Na esplanada do George V, às 6 da tarde. Esta sensação de estar "aqui", no centro vital (e mundano) da Grande Cidade, não encontra fundura ou medida para compará-la com qualquer outra que nos possa advir não importa em que solene paisagem ou ponto geográfico do mundo. Vivemos a vida em cachão, no cume das ideias e dos sentimentos.» .../... António de Cértima, Doce França (1963)
«JANEIRO O Bernardino Machado telegrafa-me de Madrid, onde se tem eternizado: "Fica aí? Cumprimentos". Este telegrama põe-me fora de mim. Assim este homem não tem outra coisa a dizer-me depois do que se passou! Se fico aqui? Onde quer ele que eu fique?» João Chagas, Diário - 1918 (póst., 1930)
«Junho, 6 [1948] - Terminou há dias a longa e dolorosa agonia de Eduardo Benes. / A notícia, embora esperada, deixou-me triste. Senti, verdadeiramente, que se apagara uma luz forte nos horizontes daquela Democracia, que julgo ser a única solução para as prementes necessidades humanas, nesta encruzilhada demoníaca que é a vida dos nossos dias.» .../... Vasco da Gama Fernandes, Jornal (1955)
«Sentado, as pernas cruzadas, uma das mãos no bolso e a outra a brincar com o lápis, Giovanni Fazio observava os passos, para diante e para trás, dum casal de ingleses. Ele -- chamar-te-ás John, decidiu -- recuar dois ou três metros, e ela -- Mary -- dirigia-se devagar para os degraus do palácio, sob o olhar indiferente do David.» Augusto Abelaira, A Cidade das Flores (1959)
«Dava a impressão de que tudo degenerava; mesmo os turistas já só faziam perguntas à toa, alimentando o orgulho com que o caseiro da Barbela desfiava aquela lengalenga sem reparar no nariz pacóvio dos viajantes. / -- Aqui estamos em frente da Torre. Meus senhores, peço que se descubram e ao mesmo tempo um minuto de silêncio pela alminha dos Senhores que já lá estão.» Ruben A., A Torre da Barbela (1964)
«Um ponto negro, pouco maior do que cabeça de alfinete, mas tão doloroso como raiz de dente. Com muito cuidado, devagar, para que a lâmina não resvalasse, extraiu o espinho. E uma gota de sangue veio borbulhar no orifício que ele deixara. / Lá em baixo, no campanário, o relógio deu três horas.» Ferreira de Castro, Emigrantes (1928)
Depois de quatro anos do "genocida social" (Alberto João dixit), com Passos Coelho e o seu governo, seguiram-se oito anos da parlapatice de António Costa, e a governação para as contas públicas, o que implicou que o país esteja de finanças consolidadas mas preso por arames em tudo. Se isso é governar, vou ali e já venho. Falta de polícia de proximidade (como de professores, médicos, enfermeiros), fim dos mediadores sociais nos bairros, etc., etc. -- a juntar falta de civilidade geral, da polícia aos outros cidadãos, a potenciação da cultura de gangue e de gueto -- estavam à espera de quê, de milagres?
E é escusado virem falar de racismo, que isso é bom para a Mortágua fazer comícios no parlamento, em pendant com o Chega: isto é puro desgoverno, e que vem de há décadas, não se fica pelo genocida social e pelo parlapatão.
Não vou pôr-me aqui a atirar postas de pescada relativamente a uma situação tão complexa e com sérios capitais de queixa, quer de moradores, pela forma como são tratados pelas autoridades (ou parte delas), quer de polícias mal pagos e certamente desmotivados, de há longos anos.
Tenho ouvido idiotas, "especialistas" em segurança, que, em vez de analisarem os factos e darem os contornos da situação -- o mínimo exigível --, se põem a fazer comícios em estúdio. Também tenho ouvido dizer que o Estado está a falhar, porque os cidadãos pagam os seus impostos para viverem descansados ao abrigo de motins -- certíssimo, a começar pelos cidadãos que vivem nesses bairros periféricos, tão cidadãos como os demais, e com direito a não serem desrespeitados apenas pelo facto de serem pobres ou imigrantes. Porque se há certamente vandalismo, e talvez coisas ainda piores (até que ponto a balbúrdia não serve as organizações criminosas?), também a revolta e o desespero são visíveis.
Há duas entidades que devem estar a amealhar com a situação: o Chega e o seu porquito, o Correio da Manha, cuja estação televisiva se baba com os faroestes que engendra.
Nesta história da disciplina de Cidadania, não é verdadeiramente a educação sexual que incomoda as pessoas, nem propriamente a questão da homossexualidade, pois creio que hoje em dia apenas os sectores mais cavernícolas da sociedade sabem que a condição homossexual não resulta de qualquer escolha, antes se trata de uma característica congénita duma percentagem, apesar de tudo muito reduzida em termos relativos -- li algures, e há muito tempo, que abrangerá seis por cento da população. Enfim, algo natural, mas minoritário, e que deverá ser encarado com naturalidade.
O que verdadeiramente chateia a maioria das pessoas é ver os filhos nas mãos de um eventual maluco que lhes saia na rifa com rabichice tóxica. Isto é que realmente os assusta e/ou repugna. Como não podemos dizer tudo o que pensamos, sem a seguir nos matarmos, os que estão contra, refugiam-se em generalidades que lhes empresta o bom senso; e os defensores armam-se com sofismas, mentirolices -- ou fogem com o rabo à seringa.
Ontem, Catarina Martins num frente-a-frente com Cecília Meireles, passou num ápice do tema, para as grandes questões da escola pública, e quando foi interrompida já ia no magno problema da habitação...
É claro: como se pode defender o indefensável, negando a Biologia? Mesmo havendo sempre patologias, todas atendíveis, ninguém engole patranhas como o género se diferenciar do sexo devido a um "constructo" social.
Por isso, noutro debate, quando Pedro Frazão do Chega lhe escapou a boca para a verdade, referindo-se àquilo como uma "porcaria", Joana Mortágua, com a devida desonestidade intelectual (já tinha antes falado dos sinais de trânsito, da separação do lixo e da literacia financeira...), pergunta agressivamente se é "porcaria" a luta contra a violência doméstica ou o anti-racismo. Pois, pois...
Muitos de nós, pessoas de todas as religiões ou sem religião, à esquerda e à direita, embora sabendo que a família pode ser infernal (como a escola e a sociedade em geral), sabe também que naquelas em que o amor existe, e são quase todas, não há melhor porto de abrigo para as complicações da vida. E que os que contestam a família nuclear, pais, filhos, avós, e de preferência também a mais alargada, só têm para oferecer fantasias e o salve-se-quem-puder, uma espécie de tudo ou nada, mas somente o vazio. É por isso que é na família que se educa, e não na escola, com as crianças à mercê sabe-se lá de que avestruz, e dos doutos programas congeminados pelo governo de turno, como sucedeu com esse retrocesso intelectual que dá pelo nome de João Costa.
Segue-se a norma adoptada em Angola e Moçambique, que é a da ortografia decente.