sexta-feira, setembro 07, 2007
quinta-feira, setembro 06, 2007
Antologia Improvável #250 - paulo da costa
GELO CANADIANO

Notas de Rodapé
uma década decorrida, a noite ainda prometedora e eu, mais delapidado, recordo os primeiros passos no gelo canadiano -- acácias da rússia à esquerda, árvore do lis dobrada ao vento -- subi os frios degraus de pedra, 238 avenida scarboro, números e letras mudos sob o xaile de dezembro ao pousar o saco verde no soalho de cerne; uma década a reiventar alento, esse saco vazio e desfalecido no canto obscuro, lágrimas a espalhar pedras preciosas, amigos, irmã, bolinhos de bacalhau, pai, mãe, um búzio, a língua abandonada num aeroporto de confusões, voltas intermináveis sem música no carrossel da bagagem, os dentes a apodrecer pela raiz, a dor de me exprimir, esta miragem de voar através de continentes e crenças, o caloroso braço erguido, uma asa que se estende do topo da figueira à árvore do lis, aterrando, acreditando que a terra chega tão longe, tão perto de algo sonhado

Notas de Rodapé
quarta-feira, setembro 05, 2007
Caracteres móveis - Charles Baudelaire
terça-feira, setembro 04, 2007
segunda-feira, setembro 03, 2007
Antologia Improvável #249 - Miguel Torga
VOZ
Era uma voz que doía
Mas ensinava.
Descobria
Mal o seu timbre se ouvia
No silêncio que escutava.
Paraísos, não havia.
Purgatórios, não mostrava.
Limbos, sim, é que dizia
Que os sentia,
Pesados de covardia
Lá na terra onde morava.
E morava neste mundo
Aquela voz.
Morava mesmo no fundo
Dum poço dentro de nós.

Libertação / Líricas Portuguesas. 2.ª Série
(edição de Cabral do Nascimento)
Era uma voz que doía
Mas ensinava.
Descobria
Mal o seu timbre se ouvia
No silêncio que escutava.
Paraísos, não havia.
Purgatórios, não mostrava.
Limbos, sim, é que dizia
Que os sentia,
Pesados de covardia
Lá na terra onde morava.
E morava neste mundo
Aquela voz.
Morava mesmo no fundo
Dum poço dentro de nós.

Libertação / Líricas Portuguesas. 2.ª Série
(edição de Cabral do Nascimento)
domingo, setembro 02, 2007
Figuras de estilo - Almeida Garrett
Não me lembra que Lord Byron celebrasse nunca o prazer de fumar a bordo. É notável esquecimento no poeta mais embarcadiço, mais marujo que ainda houve, e que até cantou o enjoo, a mais prosaica e nauseante das misérias da vida! Pois num dia destes, sentir na face e nos cabelos a brisa refrigerante que passou por cima da água, enquanto se aspiram molemente as narcóticas exalações de um bom cigarro de Havana, é uma das poucas coisas sinceramente boas que há neste mundo.
Fumemos!

Viagens na Minha Terra
(retrato de Garrett por Columbano Bordalo Pinheiro, pormenor)
Fumemos!

Viagens na Minha Terra
(retrato de Garrett por Columbano Bordalo Pinheiro, pormenor)
sexta-feira, agosto 31, 2007
Na morte de Alberto de Lacerda
Do muito que se passou nestes dias de férias, a morte de Alberto de Lacerda foi o que mais me tocou. Era o meu poeta preferido, dos vivos, & agora um entre os mortos. Autor da palavra justa, precisa, essencial, musical, oficinal como encaixes perfeitos. As palavras, «quase todas a mais» no meio da adiposidade verbal contemporânea, da banalidade, do lugar-comum que carregamos, como um castigo. Tive a honra de o antologiar, com José Duarte, no Poezz ; e a desfaçatez de incluí-lo aqui, na «Antologia Improvável», onde continuará a aparecer, e um pouco por todo o blogue.
sexta-feira, agosto 17, 2007
sublime porta
Amolece-te a vontade
o vapor do banho turco.
A memória de há pouco
todo o querer já passou.
o vapor do banho turco.
A memória de há pouco
todo o querer já passou.
quinta-feira, agosto 16, 2007
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