domingo, março 13, 2011

pior que o meu estado de saúde / é a corrupção nas altas esferas
Fernando Assis Pacheco

Fernando Grade

5 poemas, aqui.

sábado, março 12, 2011

O Vale do Riff - Simple Minds, «Once Upon a time»

Geração à Rasca - o melhor está aqui

Aqueles que se vão manifestar hoje são os melhores da sua geração. Têm opiniões e não se resignam. Os que ficam em casa são de duas qualidades: uns, patetas e fúteis, nem têm noção do mundo por que passeiam a inanidade das suas existências; outros, os piores, são os espertalhões, os prudentes sem convicções, os arranjistas de toda a sorte, os sobreviventes, o barro de que se faz este lodo.

sexta-feira, março 11, 2011

genealogia (5)

há partículas do meu sangue vindas do outro lado do estreito de
                                                                                        [tariq
guerreiros de alfange à cinta tomaram muralhas
desbarataram o rei rodrigo
e guerrearam-se entre si

sangue quente em terra quente
useiro e vezeiro no trabalho violento do gado
manadas conduzidas por léguas e léguas além tejo oeste e volta
noites dormidas onde calhava
ao relento e ao luar
noites transfiguradas pela geometria fractal dos corpos celestes

este meu sangue da barbaria
alento de macho cobridor sem maldade ou pudor
de fácil turvação à vertigem de uns olhos rasgados em tez morena
sangue berbere espalhado sem ida nem volta pelas margens
                                                               [de aquém tejo

quarta-feira, março 09, 2011

boas maneiras


Creedence Clearwater Revival
foto: Basul Parik

terça-feira, março 08, 2011

Zé Colmeia

O Zé Colmeia é talvez a personagem mais antiga dos quadradinhos e da tv de que me recordo. Guardo ainda um livrinho, entretanto sem capa, duma colecção que trazia "desenhos animados" no canto superior direito. Hoje fui ver o filme em 3D com a minha filha mais nova. Adormeci nas duas partes, mas deu para ver que funciona para o público infantil. O meu Zé Colmeia, porém, será sempre o das curtas metragens da dupla Hanna-Barbera.


O Vale do Riff - Barney Kessel, «The Shadow Of Your Smile»

segunda-feira, março 07, 2011

Eu canto porque o instante existe
Cecília Meireles

sábado, março 05, 2011

caderninho - da calúnia

Escreve Emílio Costa*: «A quem nunca foi caluniado nem difamado, falta um elemento de muito valor para conhecer o mundo.»
Dizem que só se calunia e difama quem tem algum valor. Porque pode fazer sombra, porque a insegurança de quem calunia acusa a real ou suposta importância daquele que se torna alvo, etc., etc.
Eu, que sei já ter sido caluniado pelas costas, raramente peço explicações àqueles que não têm coragem de afirmar de caras o que insidiam às esconsas. Por algumas razões: em primeiro lugar porque não tenho grandes medos, nem de hipotéticos telhados de vidro -- lido bem com as minhas fraquezas. Não ter medo(s) é óptimo para ultrapassar as rasteirazinhas que nos vão fazendo. Depois, julgo ter um sentido crítico que relativiza o que não é importante e, principalmente, quem não é importante. Gasta-se boa parte do tempo a tropeçar em gente que não interessa, isto é: gente desinteressante. Por último, tenho cara de poucos amigos, quando quero. Há quem pense duas vezes antes de me aborrecer. Claro que preferiria que esse expediente estivesse ausente das relações humanas, menos por mim do que por aqueles que se degradam em praticá-lo.

* Filosofia Caseira, Lisboa, Seara nova, 1947, p. 157.

acordes nocturnos

sexta-feira, março 04, 2011

quinta-feira, março 03, 2011

quarta-feira, março 02, 2011

O Vale do Riff - King Crimson, «Elektrik»

Antologia Improvável #465 - Carlos Ávila

TÚMULO AO POETA DESCONHECIDO

uma brochura
que mal se sustenta de pé
na biblioteca pública
de uma cidadezinha qualquer

as páginas amareladas
de uma antologia
com trezentos e tantos
tantos tantos "poetas"

um título
perdido
(muito cedo, muito cedo)
nas prateleiras de um sebo

apenas um nome
(nowhere man)
na babilônica
lista telefônica

numa obscura
repartição pública
(beneficência da língua portuguesa)
sem cura

um bardo bêbado
no fundo do bar
olhando pro nada
e pensando que é o mar

no tumulto da vida -- o túmulo
requiescat in pace
& não volte jamais

Na Virada do Século - Posei de Invenção no Brasil
(Claudio Daniel e Federico Barbosa)