RELÂMPAGO
Parir um poema,
máscara nas ventas,
anestesia nas veias,
arfando...
Parir um poema
como pari meus filhos...
Alucinação dos sentidos...
Criar sem saber
estar criando.
Parir sem saber
que estou parindo.
Lugar Solitário
sexta-feira, novembro 24, 2006
quinta-feira, novembro 23, 2006
Figuras de estilo - Campos Monteiro
Qual o esfomeado, por cujas mãos passem vitualhas, que tenha a hombridade bastante para lhes não cravar os dentes?
Saúde e Fraternidade
quarta-feira, novembro 22, 2006
E
E de eleganteE de elaborado
E de espasmódico, de efluente, de ejaculatório, de electrizante e de electromagneto, de entusiamante e de espectaculoso
E de eia!
E de edificante, de egrégio, de emérito, de engrandecido
E de egipciano e de eleusínico
E do espanto
E de de enobrecido, de efes-e-erres, de elanguescente, de envolvente e estiloso
E de escol
E de esmerilhado e também de elemental, de escandido e de escorrente
E de etnológico, de ebanítico, de eldorado, de escarlate, de ele e de ella
E de ecuménico
E de espalhado
E de estuário
E de edénico, de espiritual e de espiritoso, de enigmático, de evanescente
E de eficaz, de estremecido e de excelente
E de «Duke»
E de Ellington
foto
terça-feira, novembro 21, 2006
Antologia Improvável #180 - Luís Quintais
BÉTULA
Serás a humílima árvore.
A árvore a tinta
da china desenhada.
A árvore de papel.
Serás a bétula do Nepal.
A que não existe
senão na linguagem.
Serás a que sonha os dias,
as noites, as lembranças.
A que protege
da ira inclemente.
A que protege
do sopro do tempo.
A da sombra feliz.
Angst
Serás a humílima árvore.
A árvore a tinta
da china desenhada.
A árvore de papel.
Serás a bétula do Nepal.
A que não existe
senão na linguagem.
Serás a que sonha os dias,
as noites, as lembranças.
A que protege
da ira inclemente.
A que protege
do sopro do tempo.
A da sombra feliz.
Angst
segunda-feira, novembro 20, 2006
domingo, novembro 19, 2006
Correspondências #68 - António Nobre a Oliveira Martins
Segunda-feira, 27-XI-1893.
18-- rue de la Sorbonne -- Paris
Ex.mo Senhor,
Há já alguns dias que cheguei a Paris e, se agora só venho ao pé de V. Ex.ª dar-lhe parte da minha chegada, é por só agora me achar restabelecido da minha dolorosa viagem. Levado pelo meu imprudente e herdado amor pelo mar, segui num pequeno vapor do Porto para o Havre, e no Canal da Mancha estive quase a ir ao fundo com uma tempestade do século XVI, como os seus olhos de historiador tantas têm visto. Sofri imenso. Hoje, tranquilo, venho dar a V. Ex.ª a minha adresse, como me disse da última vez que o visitei para pedir a V. Ex.ª a sua intervenção junto do Dr. Eduardo Prado: pedido que tomei a liberdade de lhe fazer sem que as nossas relações mo consentissem, é verdade, mas tendo apenas o estímulo da amizade que V. Ex.ª tem aos meus versos, o que me comove excepcionalmente por vir dum espírito que amo do coração e a que devo tanto. Espero me desculpará.
O Sr. Oliveira Martins, desse querido Portugal, disponha de mim, se dalguma coisa posso ser-lhe agradável neste País, agora tão lúgubre, sob a neve que está a cair.
Sou de V. Ex.ª, com a maior simpatia, muito admirador e dedicado criado,
António Nobre
In F. A. Oliveira Martins, Oliveira Martins e os Seus Contemporâneos
sábado, novembro 18, 2006
Antologia Improvável #179 - Isabel Meyrelles
Como sempre,
passas inexorável e distante
em me veres.
Como sempre,
olho aquele ponto vago
acima do teu rosto
e, como sempre,
penso: amanhã... talvez amanhã
e olho as tuas costas que se afastam
como sempre.
Em Voz Baixa / Poesia
passas inexorável e distante
em me veres.
Como sempre,
olho aquele ponto vago
acima do teu rosto
e, como sempre,
penso: amanhã... talvez amanhã
e olho as tuas costas que se afastam
como sempre.
Em Voz Baixa / Poesia
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