domingo, julho 17, 2011
sábado, julho 16, 2011
caracteres móveis - Azorín
No puede ver el mar la vieja Castilla: Castilla, con sus vetustas ciudades, sus catedrales, sus conventos, sus callejuelas llenas de mercaderes, sus jardines encerrados en los palacios, sus torres con chapitelles de pizarra, sus caminos amarillentos y sinuosos, sus fonditas destartaladas, sus hidalgos que no hacen nada, sus muchachas que van a pasear a las estaciones, sus clerigos con los balandranes verdosos, sus abogados -- muchos abogados, infinitos abogados -- que todo lo sutilizan, enredan y confunden.
Castilla
quinta-feira, julho 14, 2011
JornaL - Pedro Cabrita Reis e Eugénio Lisboa, ironia dita e praticada
No JL de hoje, num abecedário pessoal, letra H, de Humor, por Pedro Cabrita Reis: «[...] só as pessoas inteligentes têm a capacidade de humor. As que por qualquer razão desistiram de ser inteligentes ou de aprofundar a sua inteligência perderam também essa capacidade. No pior dos casos, tornaram-se sarcásticas, perdendo duas vezes a inteligência.»
É verdade, digo eu, que aqui me tenho queixado das minhas oscilações entre o ironista e o sarcasta, com pendor para este último estado, tão desgastante que só posso ser burro.
Eugénio Lisboa, na sua coluna «Pro memória»: «Basta que um clerc de grande prestígio (merecido ou não) declare uma obra "genial", ou apenas "deslumbrante" ou "estimulante", para que toda a arraia miúda se derrame em orgasmos de admiração, que invadem mestrados, doutoramentos e pós doutoramentos.. Absorver a inovação já não requer tempo, meditação, estudo, paciência, leitura obstinada... Damos ao mundo, como se diz por aí [...], um exemplo histórico de não resistência à mudança. Seria belo, se fosse sincero e profundo. Mas sê-lo-á?»
É verdade, digo eu, que aqui me tenho queixado das minhas oscilações entre o ironista e o sarcasta, com pendor para este último estado, tão desgastante que só posso ser burro.
Eugénio Lisboa, na sua coluna «Pro memória»: «Basta que um clerc de grande prestígio (merecido ou não) declare uma obra "genial", ou apenas "deslumbrante" ou "estimulante", para que toda a arraia miúda se derrame em orgasmos de admiração, que invadem mestrados, doutoramentos e pós doutoramentos.. Absorver a inovação já não requer tempo, meditação, estudo, paciência, leitura obstinada... Damos ao mundo, como se diz por aí [...], um exemplo histórico de não resistência à mudança. Seria belo, se fosse sincero e profundo. Mas sê-lo-á?»
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terça-feira, julho 12, 2011
segunda-feira, julho 11, 2011
domingo, julho 10, 2011
sábado, julho 09, 2011
sexta-feira, julho 08, 2011
revisitação - James Gillray
Galeria: James Gillray, «O Plum-Pudding em Perigo». Se não nos pusermos a pau, qualquer dia a Europa (cujas potências, a bem dizer, nunca deixaram de ter este tipo de comportamento) terá de se defrontar com situações semelhantes, com melhores ou piores maneiras.
Está no Museu Britânico
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quinta-feira, julho 07, 2011
a propósito das barbas de Pérez Rubalcaba
Alfredo Pérez Rubalcaba, futuro líder da oposição espanhola, disse que a Espanha não é Portugal, nem é a Grécia. E tem o ainda ministro inteira razão. Se as coisas continuarem a rodar desta maneira, a Espanha vem a seguir. E vindo a segui, a Espanha, país artificial, extingue-se. A Catalunha será a primeira região a tornar-se independente -- independência que eles almejam tanto quanto os bascos, que farão o mesmo um dia depois, talvez acompanhados por Navarra, prevendo-se que boa parte da comunidade valenciana com as Baleares se possam congregar com os catalães. Dois dias mais tarde, estando o estado espanhol, como hoje o conhecemos, ferido de morte, não se prevê que a Galiza fique quieta.
Rubalcaba é uma boa amostra da mediocridade dos líderes políticos europeus: está a pôr as barbas de molho, sem querer ver que o fogo da casa do vizinho já passou para a sua.
Rubalcaba é uma boa amostra da mediocridade dos líderes políticos europeus: está a pôr as barbas de molho, sem querer ver que o fogo da casa do vizinho já passou para a sua.
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quarta-feira, julho 06, 2011
a Moody's e a piada negra do dia
ouvi-a ao bom do António Macedo, na Antena 1: os círculos económicos e financeiros estariam estupefactos com a recente decisão de promover a lixo a nossa dívida pública...
E fico sonhador quando leio Faria de Oliveira a clamar contra o "insulto" e a "imoralidade" da Moody's ou Mira Amaral a qualificar como terrorista a dita agência. Cavaco tem de puxar-lhes as orelhas: não se trata assim os mercados. Carneiros e cordeirinhos até à degola.
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terça-feira, julho 05, 2011
Antologia Improvável #476 - Frederico Barbosa (2)
MEMÓRIA SE
A mais íntima
memória se
desdobra cega
e surda:
a presença tátil
de suas dobras
incrustadas
nas marcas linhas
das minhas mãos.
O gosto redondo
do seu corpo
na retina língua
do meu gesto
ou rosto.
E seu perfume
rio riso colorido
escorrendo
sobre o corpo
sopro e calor.
Memória se
deseja. O resto,
se ouça ou veja.
Na Virada do Século -- Poesia de Invenção no Brasil
(edição de Claudio Daniel e Frederico Barbosa)
A mais íntima
memória se
desdobra cega
e surda:
a presença tátil
de suas dobras
incrustadas
nas marcas linhas
das minhas mãos.
O gosto redondo
do seu corpo
na retina língua
do meu gesto
ou rosto.
E seu perfume
rio riso colorido
escorrendo
sobre o corpo
sopro e calor.
Memória se
deseja. O resto,
se ouça ou veja.
Na Virada do Século -- Poesia de Invenção no Brasil
(edição de Claudio Daniel e Frederico Barbosa)
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segunda-feira, julho 04, 2011
domingo, julho 03, 2011
o meu Doc Europa II - II
Mum, de Adelheid Roosen (Holanda, 2009, 20'). O centro do documentário é a mãe da realizadora, doente de Alzheimer, internada num lar. As duas filhas e o genro entregam-se em grande ternura àquele ser tão importante para as suas vidas. À impotência diante a demência e a regressão inexorável e desarmante, só o amor, pleno de carícias e contacto físico pode aplacar, ainda que minimamente, a provação por que passam as pessoas cujos familiares mais próximos padecem como a protagonista deste filme. Gostei, em particular, da forma como Adelheid Roosen se capta a si própria com a mãe.
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sábado, julho 02, 2011
revisitação - The Beatles
The Beatles, «I Saw Her Standing There». Os Fab Four no ano em que nasci. No solo, creio que do Harrison, o realizador captou o Ringo... apesar de tudo, muito bem captado.
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sexta-feira, julho 01, 2011
quinta-feira, junho 30, 2011
quarta-feira, junho 29, 2011
"Project Of The Replicants
Será o nome da minha banda prog. Descubram a vossa, aqui.
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terça-feira, junho 28, 2011
domingo, junho 26, 2011
figuras de estilo - Ruben A.
Sabe, isto de ser cristão e filho de Deus também tem os seus quês. Não andamos bem à solta, atravessa-nos um solstício na alma que nos põe a latejar os sentidos. Olhe, eu, pelo sim, pelo não, se um dia peco, no outro guardo abstinência. E a confissão é só com o Abade da Moutosa, que está meio surdo...
A Torre da Barbela
sábado, junho 25, 2011
figuras de estilo - Ruben A.
O fumeiro de Beringela era de nomeada, aquém e além-fronteiras. Vinham enviados especiais e plenipotenciários a fim de conseguirem bons fornecimentos para os reis da Etiópia, da Suécia e das terras longínquas do Camboja e do Tibete. Os Orientais consideravam enguias fumadas como a maior especialidade do ocidente. No Oriente comiam as enguias com rolos de paprica; e o combinado embebido numa aguardente de arroz, meia alcoólica, quase doce, dava ao comedor um paladar exótico, de resultados fortíssimos. Com duas enguias preparadas à la Samorai ficava um homem prostrado, sem dar acordo. Então sonhava-se, e a tradição reza que o sonho provocado pelas enguias despertava sensações requintadas, mais potentes que as do ópio.
quinta-feira, junho 23, 2011
o meu Doc Europa III - I uma tarde e três noites
No fim-de-semana passado, pela primeira vez em Cascais, no Museu Paula Rego, o Doc Europa, sob o mote «A União Europeia dos Cidadãos -- Como Habitar Este Presente?» 27 filmes dos 27 países da UE, agrupados com uma coerência interna. Desses 27, vi dez exercícios sobre o amor e ódio; o medo, as margens e as (des)ilusões. Nos próximos dias darei as minhas impressões. Para já, lamento apenas a pouca adesão do público, não por falta de divulgação, mas porque o público não existe. Porquê? Isso daria para outro (ou vários) post(s).
quarta-feira, junho 22, 2011
terça-feira, junho 21, 2011
segunda-feira, junho 20, 2011
domingo, junho 19, 2011
Antologia Improvável #475 - Fabrício Marques
FICANDO TARDE
Estou ficando tarde. E o tempo
vai carpindo antes do tempo
rugas de cansaço e lucidez.
Com ar de melancolia
(Estou ficando tarde)
percorre o rosto um sorriso.
As horas se gastam, amarelam
como quando a vida arde
-- ó albor -- na pele, sem aviso.
Na Virada do Século -- Poesia de Invenção no Brasil
(edição de Caudio Daniel e Federico Barbosa)
Estou ficando tarde. E o tempo
vai carpindo antes do tempo
rugas de cansaço e lucidez.
Com ar de melancolia
(Estou ficando tarde)
percorre o rosto um sorriso.
As horas se gastam, amarelam
como quando a vida arde
-- ó albor -- na pele, sem aviso.
Na Virada do Século -- Poesia de Invenção no Brasil
(edição de Caudio Daniel e Federico Barbosa)
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sábado, junho 18, 2011
quarta-feira, junho 15, 2011
terça-feira, junho 14, 2011
Pezarat Correia: o atrevimento e a a pouca vergonha
Um marcelino qualquer censurou um artigo de Pezarat Correia, a propósito da possível nomeação de Paulo Portas como Ministro dos Negócios Estrangeiros. Como se pode ver aqui, trata-se de um escrito de pura opinião, sem derivas para assuntos de mau gosto, de um exercício da mais legítima liberdade de expressão, ainda por cima assinado por um homem de craveira intelectual (os seus livros, os seus artigos, as suas intervenções evidenciam-no) e militar do 25 de Abril. É evidente que um homem limpo não se deixa sujar por uma nódoa, e até uma nódoa pode fazer as vezes de condecoração. Mas o atrevimento de um qualquer marcelino, não deve passar sem mais.
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Pezarat Correia
segunda-feira, junho 13, 2011
revisitação - Joaquim Rodrigo
«S. M.», de Joaquim Rodrigo -- ou uma ilustração possível das Aventuras do Capitão Galvão e o «Santa Liberdade».
Museu de Serralves
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Joaquim Rodrigo
domingo, junho 12, 2011
tree of life
«A Árvore da Vida», de Terrence Malick: o Homem como enigma; o Cinema como grande arte.
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Terrence Malick
sábado, junho 11, 2011
sexta-feira, junho 10, 2011
quinta-feira, junho 09, 2011
quarta-feira, junho 08, 2011
terça-feira, junho 07, 2011
segunda-feira, junho 06, 2011
revisitação - Louis Le Nain
Galeria: «O Descanso do Cavaleiro», atribuído a Louis Le Nain (sécs. XVI-XVII). Ou a passagem do tempo no Antigo Regime.
Victoria & Albert Museum
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Louis Le Nain
domingo, junho 05, 2011
sábado, junho 04, 2011
Antologia Improvável #474 - Francisco de Sousa Neves
ODE À ÁFRICA
Eu sei das matas onde o pé humano
É como um espanto para a terra nunca semeada
E sei dos bosques sagrados onde o latim
Jamais penetra para dar um nome às árvores.
Esta é a terra prometida à derradeira
Estação dos deuses no nosso planeta
Terra do início da era da máquina
Ainda fresca do húmido sopro da criação
Com rios e afluentes da palavra fácil
E nervação abertamente fecunda.
Floresce o raciocínio como um olfacto
Mais apurado a expensas do instinto
Esbanjam os espaços seu pródigo rasgo
No grito sem luxo das orquídeas selvagens
Talvez de novo as palavras eu desperte
Limpas de barro e enxutas de antigo.
Meu passo busca não a ária dos pastores
Com poemas ao bom-senso dos rouxinóis
Mas esta luz lançada como um harpão
À misteriosa substância do futuro.
Minha poesia é aqui: onde o espaço
Ainda não se cansou do rosto humano
Onde as palavras antes da moeda inventada
São a permuta da água pelo ouro.
No Reino de Caliban III
(edição de Manuel Ferreira)
Eu sei das matas onde o pé humano
É como um espanto para a terra nunca semeada
E sei dos bosques sagrados onde o latim
Jamais penetra para dar um nome às árvores.
Esta é a terra prometida à derradeira
Estação dos deuses no nosso planeta
Terra do início da era da máquina
Ainda fresca do húmido sopro da criação
Com rios e afluentes da palavra fácil
E nervação abertamente fecunda.
Floresce o raciocínio como um olfacto
Mais apurado a expensas do instinto
Esbanjam os espaços seu pródigo rasgo
No grito sem luxo das orquídeas selvagens
Talvez de novo as palavras eu desperte
Limpas de barro e enxutas de antigo.
Meu passo busca não a ária dos pastores
Com poemas ao bom-senso dos rouxinóis
Mas esta luz lançada como um harpão
À misteriosa substância do futuro.
Minha poesia é aqui: onde o espaço
Ainda não se cansou do rosto humano
Onde as palavras antes da moeda inventada
São a permuta da água pelo ouro.
No Reino de Caliban III
(edição de Manuel Ferreira)
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Manuel Ferreira
quinta-feira, junho 02, 2011
quarta-feira, junho 01, 2011
porque vou votar no Bloco, pela primeira vez
Surpresa!... Eu, alérgico ao BE desde a primeira hora, vou votar nele -- com reservas mas com algum entusiasmo, diga-se, embora não tenha ilusões quanto às consequência do meu voto.
Dois factores determinantes para que vá exercer o voto desta forma: sempre me foram antipáticas as origens do Bloco: PSR, UDP (credo!) e ex-PCP, sem garantias portanto de um entendimento liberal da democracia que perfilho. Mas tenho verificado que, ao contrário do que sucede no PCP, por várias vezes e em diversas ocasiões, o BE tem convivido com as divergências políticas que se exprimem no seu seio e cá fora se manifestam. É um bom sinal.
Em segundo lugar: Louçã, de quem nunca fui fã, para além da sólida preparação económica e política com que se apresentou nos debates, soube esgrimir as suas divergências com elevação e pertinência (esteve, aliás, muito bem com Passos Coelho e com Portas); por outro lado, não tem um discurso submisso, de vencido; pelo contrário -- e aqui está com o PCP --, apresenta alternativas à política económica, sem um discurso antieuropeísta e patrioteiro -- e aqui afasta-se do PCP.
Não me apetece votar em quem apela à submissão, nem alinho pelas criaturas engravatadas muito assustadas que invadem o espaço mediático proclamando que temos de ganhar o respeito dos mercados -- sem terem a decência de afirmar que os tais mercados não se dão ao respeito.
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Paulo Portas,
Pedro Passos Coelho
porque não voto no PS
O PS é o partido da minha área política. Está, porém, cada vez mais parecido com o PSD. Gente com quem me identifico, Ferro Rodrigues, Manuel Alegre, não são mais que flores na lapela de Sócrates. Claro que o meu voto não é determinado por Sócrates. (O que se tem visto por aí em relação a Sócrates é dum patetismo que caracteriza bem este país de futebóis e revistas do coração).
Tenho vários problemas com o PS. Mas o que agora determina o meu não-voto é a postura de pura desistência, de braços caídos diante de uma situação interna e externa que um partido à esquerda não pode deixar de sinalizar. Em vez disso, o PS mais não quer ser do que o garante do bom comportamento dos cidadãos perante os "mercados", triste figura que o equipara à inanidade contabilista dos cavacos e outras ferreiras leites. Para moderações destas, que mais não são do que uma garantia de domesticação, eu não contribuo.
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José Sócrates,
Manuel Alegre
porque não voto no PSD
O puro pragmatismo, o desenrascanço, o vazio doutrinário, a aflitiva indigência dos dirigentes (com todas as excepções). Ideologicamente vazio, o Poder que pretende conquistar é pasto para as clientelas. Passos Coelho pode ser muito simpático, honesto e bem intencionado, mas votar em líderes numas legislativas é uma forma básica e imatura de exercer o voto. Portanto, passo.
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Pedro Passos Coelho
porque não voto no PCP / CDU
Não vale a pena, francamente, gastar muito latim com o PCP. Ideologicamente firme, com a firmeza de uma seita, a sua perversão doutrinária, para quem tivesse dúvidas quanto à teoria, já foi demonstrada na prática, através de todas as uniões soviéticas, chinas, albânias, cubas e coreias do norte deste mundo. O marxismo-leninismo faz-me lembrar a santa madre igreja e a sua inquisição, quando impunha a fogueira como penitência; neste caso, em nome de um horizonte social beatífico, foram impostos os regimes mais repressivos e tirânicos que o século XX conheceu, com excepção do nazismo (nada se compara com o nazismo). Como disse o Júlio Pomar quando acompanhou Soares em visita à URSS: "ver para descrer". Mas nem é necessário ir ver: basta ler, do pensamento e prática intolerantes de Marx, ao Avante! do mês passado, a propósito da questão síria; ou, se quiserem, ler o Orwell, o Koestler, o Soljenitsine... Não mudaram, não querem mudar. Estão no seu direito; mas numa sociedade livre serão sempre residuais.
porque não voto no CDS
Politicamente, estou muito mais próximo do CDS do que de outras forças políticas à esquerda, em que me reconheço. Basta o CDS ser um partido liberal. O seu conservadorismo nos costumes também não me causa mossa: os costumes estão na esfera da liberdade individual que cabe a cada um. Não voto no CDS basicamente por duas razões: o seu discurso aparentemente social cristão é falso. O CDS é um partido de classe, exactamente como o é o PCP; e, dada a sua pequena dimensão, nunca conseguirá libertar-se do nicho de interesses que efectivamente representa. O alarde que Portas faz das preocupações sociais do partido, se forem entendidas de forma benigna, não são mais do que uma perspectiva caritativa e esmoler dos pobrezinhos; se quiser ser mais severo, diria que me faz lembrar os beatos falsos, que andam sempre com nosso senhor na boca, desdizendo-se à primeira oportunidade. Talvez fosse bom para o país que o CDS fosse a segunda força política, obrigando-se assim a libertar-se dos casulos em que se encerra.
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terça-feira, maio 31, 2011
revisitação - Sidney Bechet
Sidney Bechet, «Royal Garden Blues». Bechet em França: Nova Orleães regressa às origens.
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segunda-feira, maio 30, 2011
domingo, maio 29, 2011
Antologia Improvável #473 - Fabiano Calixto
ESPERA
a janela aberta
da cozinha
as mãos
os pratos limpos
uma hora
de música
um quinto
cigarro
para passar o tempo
-- rumor de fresta
noite de maio --
uma espera
acesa
durando uma estrela
Na Virada do Século -- Poesia de Invenção no Brasil
(ed. Claudio Daniel e Frederico Barbosa)
a janela aberta
da cozinha
as mãos
os pratos limpos
uma hora
de música
um quinto
cigarro
para passar o tempo
-- rumor de fresta
noite de maio --
uma espera
acesa
durando uma estrela
Na Virada do Século -- Poesia de Invenção no Brasil
(ed. Claudio Daniel e Frederico Barbosa)
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sábado, maio 28, 2011
sexta-feira, maio 27, 2011
revisitação - Emerson, Lake & Palmer
Emerson, Lake & Palmer, «Knife Edge». Os ELP nunca foram o meu prato do prog rock. O Keith Emerson é um histérico dos sintetizadores, não tem, por exemplo, a englishness do Tony Banks, talvez o principal responsável pelo som dos Genesis dos anos de ouro (1970-78); e torço também o nariz às citações eruditas, de Bach a Copland. Mas cresci com o prog, e há coisas piores de se ouvir.
quinta-feira, maio 26, 2011
quarta-feira, maio 25, 2011
Antologia Improvável #472 - Rui Pires Cabral
«And so on and so forth.» 1
Mas vejam que miséria quando o clube
perde em casa, quando chove no molhado
do recreio a tarde toda, quando o carteiro
faz greve e o outono se insinua --
vejam que miséria este défice de razões
para pôr em movimento a roda perra
do dia, esta pomba trucidada pela ambulância
que guina, enquanto o vizinho almoça e o poeta
transfigura -- mas vejam que miséria
quando a arte não resgata e a orquestra
não anima e o amor torna mais árdua
a triste faina da vida.
1 Christopher Isherwwod, Lions and Shadows, Londres, Minerva, 1996, p. 148.
Oráculos de cabeceira / Resumo -- A Poesia em 2009
(escolha de Luís Miguel Queirós)
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Rui Pires Cabral
domingo, maio 22, 2011
sábado, maio 21, 2011
revisitação - Eric Clapton
Eric Clapton, «Hoochie Coochie Man». O Clapton sóbrio é que é.
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Eric Clapton
sexta-feira, maio 20, 2011
revisitação - Tony Bennett
Tony Bennett, «Somewhere Over The Rainbow». Um dia, fui ao Parque Palmela ouvir o Phil Woods. A certa altura começo a ver uma barafunda na fila da frente, com fotógrafos apinhados: era o Tony Bennett que estava a assistir. Escusado será dizer que subiu ao palco e cantou (e tão bem!), acompanhado pela big band do saxofonista.
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quinta-feira, maio 19, 2011
revisitação - Barney Kessel
Barney Kessel, «Autumn Leaves». A guitarra é, para mim, um instrumento ingrato e desengraçado no jazz (Django Reinhardt à parte). Mas este Kessel ouve-se muito bem.
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quarta-feira, maio 18, 2011
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