errâncias
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*«O *Sr. Not, tão pobre de gestos e expressões como de letras é o seu nome,
aponta, na soleira da porta, um cão ladrando furiosamente para o céu, onde
os...
Há 6 horas
conservador-libertário, uns dias liberal, outros reaccionário. um blogue preguiçoso desde 25 de Março de 2005
«Vou dizer-te uma coisa, mas é segredo», é um contra-senso. Desde que uma coisa se diz a alguém, deixa de ser secreta. Há coisas que se dizem a qualquer pessoa: são as banais. Há as que se dizem a uma ou outra pessoa: são as confidenciais. Há as que não se dizem a ninguém: são as secretas. Há as que nem a nós próprios nos atrevemos a dizer: são as criminosas. Emílio Costa
Aquilo que tomamos por virtudes, não passa, muitas vezes, de um conjunto de diversas acções e interesses que a fortuna ou o nosso engenho sabem concertar; e nem sempre é por valor nem por castidade que os homens são valorosos e as mulheres são castas. La Rochefoucauld
Neil Young consegue combinar uma faceta de escritor de canções -- do melhor que tem a música popular anglo-americana -- com uma desconcertante personalidade de guitar-hero. Desconcertante, porque autêntica, sem cedência à mise-em-scène fácil. Foi o que sucedeu ontem, no Alive! 2008, em Algés. Um concerto notável. E eu não sei como ele, com 63 anos, ainda tem caixa craniana que lhe filtre as distorções da guitarra.
Dylan canta cada vez pior a sua música cada vez melhor. Ontem, no Alive! 2008, abriu com Rainy Day Woman e fechou o único encore com Like a Rolling Stone. Cantar, cantámos nós, que ele quase só silabava -- who cares?! Ouvia-o e só me vinha à memória uma expressão magnífica do grande Vitorino Nemésio, que de França, se a memória não me falha, em carta a Lopes-Graça, relatava uma visita do ainda Adolfo Rocha (futuro Miguel Torga) mais ou menos nestes termos geniais: o Rocha passou por cá, como um pedaço de céu velho...


Segue-se a norma adoptada em Angola e Moçambique, que é a da ortografia decente.