«1. o fascismo dos bons homens - somos bons homens. não digo que sejamos assim uns tolos, sem a robustez necessária, uma certa resistência para as dificuldades, nada disso, somos genuinamente bons homens e ainda conservamos uma ingénua vontade de como tal sermos vistos, honestos e trabalhadores.» Valter Hugo Mãe, A Máquina de Fazer Espanhóis (2010)
« -- O que me importa e irrita é essa mania que tu tens de achar bom tudo quanto é estrangeiro e mau tudo quanto é espanhol. Mas não me admira nada; mesmo nada; todos os teus correligionários são assim... / Soriano contemplava-a com esse sorriso complacente e irónico de quem não está disposto a melindrar-se. Ela levantou-se da mesa e caminhou apressadamente para o seu quarto.» Ferreira de Castro, A Curva da Estrada (1950)
«Examina-se com mais minuciosidade, mas com menos entusiasmo; analisa-se mais e melhor; porém a própria análise é a prova de que se sente menos. Onde domina o sentimento e a imaginação, mal têm cabida a paciência e fleuma, necessárias aos processos analíticos. O homem positivo e frio recolhe de qualquer excursão à pátria com a carteira cheia de apontamentos; o entusiasta e poeta nem uma data regista. Viu menos, sentiu mais.» Júlio Dinis, A Morgadinha dos Canaviais (1868)
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1 comentário:
«De vários passos da obra parece dever inferir-se que o poeta não contava com costados de nobreza. Não raro a condição de fidalguia lhe merece os seus sarcasmos. Pelo menos, falta-lhe com a sua homenagem, desde que não venha investida doutra recomendação. Aqui, além, refere-se à sua situação dum modo que afasta para longe o príncipe do Renascimento português que porfiam ver nele os adoradores do pechisbeque social.
Naquele soneto, considerado como as suas matinas de amor: Todas as almas tristes se mostravam...deparam-se-nos estes dois versos do terceto final, o seu tanto sibilinos, mas em que parece transparecer o ressentimento da condição subalterna:
'Oh, porque fez a natureza humana
Entre os nascidos tanta diferença?!'
Aludia o poeta à desigualdade de classe ou à sua desigualdade de meios? Posto que a expressão seja imprecisa, com certeza que se não trata aqui de disparidades de ordem física, isto é, bem ou mal parecidos. Por outro lado, afigura-se pouco razoável que em negócios de amor, estando frente a frente naturezas poéticas, intervenham os bens de fortuna ou o importantíssimo capital. Portanto, ali é questão de flor de altura, a uma banda, e personagem chã a outra, plebeia ou sem que a ilustrem avoengos.»
Aquilino Ribeiro, "Luís de Camões - Fabuloso*Verdadeiro". Ensaio (1950)
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