«Não, não queria ficar na terra perversa donde partia, esbulhado e escorraçado, aquele rei de Portugal que levantava na rua os Jacintos! Embarcou para França com a mulher, a sr.ª D. Angelina Fafes (da tão falada casa dos Fafes da Avelã); com o filho, o Cintinho, menino amarelinho, molezinho, coberto de caroços e leicenços; com a aia e com o moleque.» Eça de Queirós, A Cidade e as Serras (póst., 1901)
«Como se teria formado a arreigada superstição, ou convicção firme, que é, em muitos casos, a expressão alternativa paralela, ninguém hoje o recorda, embora, por obra e fortuna daquele conhecido jogo de ouvir o conto e repeti-lo com vírgula nova, usassem distrair as avós francesas a seus netinhos com a fábula de que, naquele mesmo lugar, comuna de Cerbère, departamento dos Pirenéus Orientais, ladrara, nas gregas e mitológicas eras, um cão de três cabeças que ao dito nome de Cerbère respondia, se o chamava o barqueiro Caronte, seu tratador.» José Saramago, A Jangada de Pedra (1986)
«As pequenas impertinências, em que se não pensa antes, que se esquecem depois, ou que a saudade consegue até doirar e poetizar a seu modo; esses microscópicos martírios, que de longe não avultam, actuam-nos, na ocasião, a ponto de nos inabilitar para o gozo do que é realmente belo.» Júlio Dinis, A Morgadinha dos Canaviais (1868)
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1 comentário:
«João Pinto Ribeiro esclarece-nos com minudência sobre o papel que desempenhava e sua patente na sociedade quinhentista. Escrevia ele para o Dr. Frei Francisco Brandão:
"A outra gente de menos sorte se deu o foro de Escudeiros e de Cavaleiros. De modo que veio a ser o último grau de nobreza ou de seu privilégio este de Escudeiro e de Cavaleiro, que foi o primeiro e o melhor dele, pois ainda hoje em toda a Espanha o título de Cavaleiro abona o sangue mais calificado."
Adiante advertia:
"Mudou-se isto com o tempo, e fez-se foro de Escudeiro e Cavaleiro fidalgo nos principais fidalgos até o tempo del-rei dom Sebastião. De então para cá desceu o título de Escudeiro e Cavaleiro a prémio de plebeios, que, sem que lhes pertença, se avantajam ou melhoram dos outros. Como também pelo arrancamento na Corte vai o fidalgo degradado para a África até a mercê del-Rei e o Cavaleiro por tempo cerca de dois anos."
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"Era antigamente Escudeiro o mesmo que Fidalgo, já o disse. Depois padeceu baixa, que tantos outros títulos de honra e dignidade. Agora está reduzido a mais baixo foro de honra, dando-se, como consta do Regimento de Mordomos, cap. 10 e cap. 11, o de Escudeiro-Fidalgo por acrescentamento de moços da Câmara, e o de Escudeiro ainda aos Mecânicos."»
Aquilino Ribeiro, "Luís de Camões - Fabuloso*Verdadeiro". Ensaio (1950)
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