sábado, outubro 05, 2024

tempo de romance

«Felizes tempos esses em que pastoreava a cabra pelas barrocas, roubava maçãs na quinta do Almeida e seguia, na Primavera, o voo dos pássaros de ramo em ramo! / Fincou a mão enegrecida e calejada sobre a caruma e, retesando os músculos, ergueu-se. Logo, porém, uma dor vivíssima o obrigou a sentar-se de novo.» Ferreira de Castro, Emigrantes (1928)

«O melhor prólogo é o que contem menos coisas, ou o que as diz de um jeito obscuro e truncado. Conseguintemente, evito contar o processo extraordinário que empreguei na composição destas Memórias, trabalhadas cá no outro mundo. Seria curioso, mas nimiamente extenso, e aliás desnecessário ao entendimento da obra. A obra em si mesmo é tudo: se te agradar, fino leitor, pago-me da tarefa; se te não agradar, pago-te com um piparote, e adeus. / BRÁS CUBAS.» Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881) 

1 comentário:

  1. «... Mas Deus desse muitos anos e bons à sua Rita que nem pelo mundo todo topava melhor governadeira de casa! Fêmea aquela Zefa, nutrida, limpa e perluxosa que nem moça de padre-cura. O dianho era se alcançava... E logo a que raça pertencia, os Narcisos, que tinham alma excomungada, e não se benziam duas vezes para esfaquear um santo! Ambos os Irmãos eram farsolas de respeito, nanja o homem que andava pelo Rio ao trapo, mole, derrancado da cachaça, que por modos bebia como cale de moinho bebe água. O melhor era pôr termo à extravagância, mandar a Zefa à tabua…»
    Aquilino Ribeiro, "Terras do Demo". Romance. (1919)

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