segunda-feira, fevereiro 10, 2020

na estante definitiva

Cacau, de Jorge Amado (1912-2001) não é certamente um dos melhores dos seus livros (para mim, Mar Morto, Gabriela, Cravo e Canela e Tenda dos Milagres, entre outros).
Por que o ponho então na minha estante definitiva? Porque, tratando-se da segunda narrativa do jovem autor (vinte e um anos), depois da surpresa inicial de O País do Carnaval (1931), que é outra coisa, o romancista viril de putas e vagabundos, como o próprio se caracterizava, está todo aqui em potência.
Claro que as chamadas putas e os alegados vagabundos são os descamisados, os outlaws, os negros, descendentes e ex-escravos, e o gosto indeclinável pela beleza feminina, coisas que incomodam os nefelibatas.
Em nota prévia, o alerta semelhante que já Ferreira de Castro (que ele lera) fizera em Emigrantes (1928) e Alves Redol faria em Gaibéus (1939): «Tentei contar neste livro, com um máximo de honestidade, a vida dos trabalhadores das fazendas de cacau do sul da Bahia. / Será um romance proletário?»

da posse: Janeiro de 2003.



Jorge Amado, Cacau [1933], Lisboa, Planeta DeAgostini, s.d.
ilustrações: Santa Rosa


sábado, fevereiro 08, 2020

quinta-feira, fevereiro 06, 2020

na estante definitiva

Há quem diga Jaime Cortesão (1884-1960) o maior historiador português do século XX, avaliação sempre difícil de fazer-se, o maior romancista, o maior pintor, o maior compositor... No caso de Cortesão, ele encontra-se sem dificuldade nos cinco dedos de uma mão.
Este livro documenta a curta passagem do historiador pelo seu país, na cadeia, entre dois exílios. É que também enquanto personagem, foi igualmente marcante no seu tempo.
Uma breve nota para dizer que Alberto Pedroso salvou estas cartas da venda a peso como lixo, tal o destino que teve a papelada da Seara Nova pertencente a Câmara Reys (1885-1961), de que foi fundador e director até morrer.
A epígrafe é um excerto extraordinário de uma carta dirigida a Raul Proença, também do Forte de Peniche, em 14 de Julho de 1940: «... Quero sem tardar, tranquilizá-lo sobre as minhas convicções políticas de hoje. Continuam a ser integralmente as mesmas, que estabeleceram entre nós uma tão estreita solidariedade moral e intelectual. Tranquilize-se. Cada vez sinto mais que em afirmar a minha fé antiga está o meu dever de homem e de escritor…»
Há homens que têm fibra; e há outros que não. E torna-se necessário dizer que esta  antiga foi Cortesão bebê-la ao ideário anarquista de Proudhon e outros, tal como sucedeu com Antero, Eça, Raul Brandão e Ferreira de Castro, para citar alguns.
Da posse: Janeiro de 1993. 



Jaime Cortesão, 13 Cartas do Cativeiro e do Exílio (1940), recolha, introdução e notas de Alberto Pedroso, Lisboa, Biblioteca Nacional, 1987, 107 págs. Capa: José Maria Saldanha da Gama.

quarta-feira, fevereiro 05, 2020

a música em 1983:«African Children»

«Leitor de BD»

sobre Renda Barata e Outros Cartoons de Stuart Carvalhais n'A Batalha

terça-feira, fevereiro 04, 2020

a música em 1971: «Senhor Arcanjo»

só uma frase de George Steiner

Dos seus livros, apenas li o fulgurante No Castelo do Barba Azul, de 1971, e A Ideia de Europa (2004). Tiro do primeiro esta frase que utilizei como epígrafe num artigo de 2002, e que estou neste preciso momento a rever: «A imensa maioria das biografias humanas são uma transição baça entre o espasmo familiar e o esquecimento.»

segunda-feira, fevereiro 03, 2020

estampa CCCLXXXIX - Claude Monet


Estrada para a Quinta de São Simeão


sábado, fevereiro 01, 2020

quarta-feira, janeiro 29, 2020

as caralhadas do Ventura

Quando este chico-esperto foi eleito, uma certa esquerda epidérmica começou logo a falar em "fascismo" e outras parvoíces, como qualquer jornalista analfabeto que mistura alhos com bugalhos. Não, este espertalhão de fascista não tem nada; mais próximo está o pnr, e mesmo assim. O bom povo não gosta de radicalismos, gosta de aparente senso comum. E como é do mais elementar bom senso as gentes quererem sentir segurança (mesmo que o sentimento de falta desta seja extrapolado pelas cloacas mediáticas), ou sentirem aversão por violadores ou pedófilos, como qualquer pessoa bem formada, toca de explorar o filão. Não é o único a fazê-lo, diga-se, mas o Ventura utiliza um linguajar de taberna que cala fundo em qualquer pobre diabo. Foi o caso do comentário a propósito de Joacine Katar Moreira e a proposta do Livre para a devolução de bens culturais às ex-colónias patentes em museus portugueses, que não li mas com cujo princípio geral concordo, devendo, contudo, cada caso ser ponderado e estudado, peça a peça.
Ao deputado Ventura só o grau zero da política e da civilidade, não se importando com a utilização soez de determinados conceitos. Dizer que uma pessoa, qualquer que seja deva ser 'devolvida' à terra onde nasceu, o que quer dizer 'deportada', é muitíssimo mais grave que um qualquer deputado, em nome da decência, da higiene pública, da desinfecção viral se levantar no hemiciclo e dirigir-se-lhe nestes termos: "Proponho a vossa excelência a ida para a cona da mãe de vossa excelência", que no fundo é o que os deputados farão se for votada a proposta de repúdio do Bloco de Esquerda, devendo deixar-se bem claro que em relação a este espertalhaço nem é a 'ideia' que veicula que está em causa, por absurda; é mesmo o oportunismo e a ausência de vergonha que manifesta, além, insisto, de uma questão de higiene pública.   

terça-feira, janeiro 28, 2020

segunda-feira, janeiro 27, 2020

sábado, janeiro 25, 2020